[ALERTA: essa matéria traz conteúdo sensível sobre dependência química. Se você sofre de transtornos associados ao uso de substâncias ou conhece alguém que precisa de auxílio, disque 132, serviço telefônico gratuito que orientar familiares e pessoas na recuperação do uso de drogas] [ALERTA: o texto a seguir aborda assuntos relacionados à saúde mental. Caso a matéria desperte gatilhos ou você conheça alguém que precise de ajuda, procure o Centro de Valorização à Vida (ligue 188)]
Ben Affleck completa 54 anos neste sábado (15) carregando uma história pessoal marcada por desafios relacionados ao alcoolismo. O ator já falou abertamente sobre a própria dependência e sobre como cresceu convivendo com o problema dentro de casa. Em entrevista ao The New York Times publicada por O Globo, em 2020, ele revelou uma das lembranças mais difíceis da infância: “Meu pai não ficou sóbrio até os meus 19 anos”.
A declaração veio durante a divulgação de “The Way Back”, ou “O Caminho de Volta”, no Brasil, filme no qual o ex da Jennifer Lopez interpreta um treinador de basquete do ensino médio que enfrenta problemas pessoais e alcoolismo. Segundo o material publicado pelo jornal, o longa acabou levando o ator a falar novamente sobre a própria trajetória de recuperação.
Segundo o relato do próprio ator, durante a infância em Massachusetts, ele via o pai bêbado quase todos os dias. Ben Affleck contou que levou anos até o pai conseguir ficar sóbrio, algo que aconteceu quando ele tinha 19 anos.
O histórico familiar, porém, era ainda mais complexo. O ator afirmou que havia alcoolismo e doenças mentais na família, descrevendo esse legado como “bastante forte e difícil de enfrentar”.
O irmão mais novo, Casey Affleck, também falou sobre seu próprio problema com alcoolismo e sobriedade. O material de O Globo ainda registra outros episódios dolorosos envolvendo familiares, incluindo suicídios e dependência química.
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Ben Affleck contou que passou um longo período bebendo de maneira que considerava relativamente normal, mas percebeu uma piora no consumo quando seu casamento com Jennifer Garner estava desmoronando, entre 2015 e 2016.
“Eu bebi, relativamente, de maneira normal por muito tempo. Mas comecei a beber mais e mais quando meu casamento estava desmoronando”, declarou o ator. Ele reconheceu ainda que a bebida acabou criando novos problemas no relacionamento.
O casamento com Jennifer Garner, com quem teve três filhos, terminou oficialmente em 2018, depois de uma longa separação. Ao falar sobre o fim da relação, Affleck admitiu que ainda sentia culpa, mas afirmou que a vergonha havia passado.
“Não é saudável se obcecar com os erros, as recaídas”, afirmou o ator. Para ele, reconhecer os próprios erros, aprender com eles e tentar seguir em frente faz parte do processo.
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Para entender de que maneira experiências familiares podem repercutir nos relacionamentos e comportamentos ao longo da vida, o Purepeople ouviu a psicóloga Daniela Pereira (CRP: 09/014487), especialista em terapia sistêmica de casal e família, avaliação psicológica e psicoterapia de adultos.
Segundo a profissional, a relação com o pai, assim como com a mãe e outros cuidadores importantes, participa da construção da maneira como aprendemos a nos relacionar com o mundo. Isso não significa que a infância determine completamente a vida adulta, mas experiências vividas nessa fase podem contribuir para a formação de crenças sobre amor, segurança, pertencimento, valor pessoal e confiança.
A psicóloga explica que, quando determinadas experiências deixam feridas importantes, alguns padrões podem ser repetidos inconscientemente. Uma pessoa que passou a infância tentando conquistar a aprovação do pai, por exemplo, pode continuar buscando reconhecimento na vida adulta, seja nos relacionamentos ou no trabalho. Já quem vivenciou abandono ou rejeição pode desenvolver medo de ser deixado ou dificuldade para confiar.
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Para Daniela Pereira, um dos principais sinais de alerta aparece quando a pessoa começa a perceber que vive situações diferentes, mas experimenta emoções muito parecidas. Frases como “Eu sempre acabo em relacionamentos parecidos”, “Parece que eu estou vivendo a mesma situação de novo” ou “Eu mudo de emprego, mas o sofrimento continua igual” podem indicar um momento importante de percepção sobre esses padrões.
Nesse processo, a terapia pode ajudar a transformar a pergunta “por que isso acontece comigo?” em “o que essa repetição está tentando me mostrar?”. Para a especialista, esse pode ser um verdadeiro ponto de virada, já que reconhecer determinados padrões abre espaço para novas escolhas. Como resume a psicóloga: “A consciência não muda o passado, mas muda a forma como construímos o futuro.”